Ciência do Crescimento: De Solow ao Nobel 2025 para Investidores
Entenda como os modelos econômicos de Solow e Romer, e o Nobel de 2025, ditam o futuro das ações e o crescimento das empresas em 2026.
Gabriel DC
1/3/20265 min read
A Ciência por trás do Crescimento: De Solow a Romer e o Nobel de 2025
Para o investidor que projeta sua alocação para 2026 e além, entender a mecânica do crescimento econômico não é um luxo acadêmico, mas uma necessidade fiduciária. Frequentemente, o mercado de ações é lido através de lentes puramente financeiras — fluxo de caixa, múltiplos e liquidez. No entanto, o valor de longo prazo é ditado por leis mais profundas.
A evolução do pensamento econômico, culminando nas pesquisas reconhecidas pelo Nobel de 2025, oferece o mapa para identificar onde o crescimento real será gerado na próxima década.
O Paradoxo de Solow e a Insuficiência da Economia Clássica
A jornada para entender a riqueza moderna começa com Robert Solow e seu modelo de crescimento desenvolvido na década de 1950. Na economia clássica, acreditava-se que o crescimento era uma função de dois insumos básicos: capital (máquinas, fábricas) e trabalho.
Solow percebeu algo inquietante: o acúmulo de capital físico apresenta rendimentos decrescentes. Se você adiciona mais uma máquina a uma fábrica sem mudar a tecnologia, o ganho de produtividade dessa máquina adicional será menor que o da anterior. Em termos de modelos econômicos, isso significava que, a longo prazo, o crescimento per capita deveria estagnar.
No entanto, as economias continuaram a crescer. Solow identificou que a maior parte desse crescimento vinha de um "resíduo" — um fator que ele não conseguia explicar apenas com capital e trabalho. Esse fator era o progresso tecnológico. Contudo, em seu modelo, a tecnologia era "exógena": acontecia por fora do sistema, como uma força da natureza sobre a qual as empresas não tinham controle direto.
Paul Romer e a Revolução do Crescimento Endógeno
A grande virada analítica para o investidor contemporâneo veio com Paul Romer (Nobel de 2018). Romer transformou a tecnologia de uma variável aleatória em uma variável "endógena" — algo produzido dentro do sistema econômico por meio de incentivos e investimento.
A Economia das Ideias vs. A Economia das Coisas
Romer introduziu a distinção fundamental entre "objetos" e "ideias":
Objetos (Rivalidade): Se uma empresa usa uma tonelada de aço, outra não pode usá-la. O aço é um bem rival.
Ideias (Não-Rivalidade): Se uma empresa desenvolve um algoritmo de IA ou uma nova fórmula química, outra empresa pode, em teoria, usar essa mesma ideia sem diminuir a utilidade da original.
Essa característica de "não-rivalidade" permite que as ideias gerem rendimentos crescentes. Para o acionista de empresas de tecnologia e biotecnologia em 2026, isso explica por que o valor de mercado dessas companhias se descola tanto de seus ativos físicos. Elas não negociam átomos; elas negociam códigos e patentes que podem ser escalados infinitamente com custo marginal próximo a zero.
O Nobel de 2025: Instituições como o Solo da Inovação
Se Romer explicou o "motor" (as ideias), os laureados com o Nobel de 2025 explicaram o "combustível" e a "pista". A pesquisa premiada destaca que a inovação tecnológica não floresce no vácuo; ela exige instituições que protejam os direitos de propriedade e incentivem a destruição criativa.
A Perspectiva Institucional para 2026
Para o investidor de longo prazo, isso muda o foco da análise. Não basta olhar para o P&D de uma companhia; é preciso analisar o ecossistema institucional onde ela opera.
Segurança Jurídica: As patentes da empresa serão respeitadas?
Abertura a Novos Entrantes: O ambiente protege as grandes empresas estabelecidas (incumbentes) ou permite que novos entrantes desafiem o status quo?
Modelos econômicos que ignoram a força das instituições falham em prever as crises de produtividade que afetam mercados emergentes, mesmo quando estes têm capital e mão de obra em abundância.
Implicações para o Mercado de Ações em 2026
Ao integrar Solow, Romer e as descobertas de 2025, o investidor de elite deve adotar uma nova heurística de seleção de ativos para este ano:
1. A Exaustão do Capital Tradicional
Empresas que dependem exclusivamente de bens de capital físico (indústria pesada tradicional, infraestrutura sem inovação) enfrentarão a barreira dos rendimentos decrescentes de Solow. Em 2026, com o custo de capital ainda em patamares de ajuste pós-inflacionário, a eficiência marginal do capital será o divisor de águas entre o lucro e o prejuízo.
2. O Valuation do Capital Intangível
Os modelos econômicos de avaliação precisam migrar definitivamente do Tangível para o Intangível. Se a inovação é endógena, o gasto em pesquisa não deve ser penalizado no valuation como uma despesa operacional comum, mas sim capitalizado como a principal fonte de vantagem competitiva futura.
3. Geopolítica da Inovação
A análise de ações agora exige uma compreensão profunda da "Guerra dos Chips" e da soberania tecnológica. Países com instituições inclusivas (que promovem a inovação de base) ganharão o prêmio de risco em relação a países com instituições extrativas (que apenas drenam recursos da base para a elite).
O Investidor como Economista da Inovação
Em 2026, o crescimento não virá de "fazer mais do mesmo", mas de "fazer de forma diferente". A ciência por trás do crescimento nos ensina que a riqueza é o produto da inteligência aplicada à matéria.
Para o investidor de longo prazo, o sucesso reside em identificar as empresas que não apenas investem em tecnologia, mas que possuem a cultura e o suporte institucional para transformar esse conhecimento em monopólios temporários de alto valor. O resíduo de Solow não é um mistério; é o lucro do acionista que soube enxergar a inovação antes dela se tornar óbvia nos balanços.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Por que o Modelo de Solow ainda é ensinado se ele é limitado?
Porque ele estabelece a base. Ele prova matematicamente que o acúmulo de máquinas tem um limite. Sem o "choque tecnológico", a economia estagna. Para o investidor, Solow ensina a evitar empresas que crescem apenas comprando mais ativos físicos sem ganhar produtividade.
Como a teoria de Paul Romer se aplica a Small Caps?
Small Caps de tecnologia são, por definição, fábricas de ideias. O risco é que, embora a ideia seja não-rival, a sua execução exige proteção de patentes (instituições). Se a pequena empresa não conseguir proteger sua "ideia", ela será engolida por gigantes com maior escala de execução.
Qual o maior risco para as ações de tecnologia em 2026 sob a ótica do Nobel 2025?
O risco institucional. O surgimento de monopólios devido a inércia legal e as restrições ao fluxo global de talentos e dados podem "quebrar" o motor de crescimento endógeno que impulsionou o mercado na última década.
É possível medir a inovação endógena em empresas de setores tradicionais?
Sim, através de indicadores como a automação de processos via IA e a redução do custo marginal de produção. Uma empresa de logística que otimiza rotas via algoritmos proprietários está aplicando a economia da inovação em um setor de economia clássica.
